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O perigo do empobrecimento da informação 









O perigo do empobrecimento da informação


Rubens Teixeira [*]


RIO DE JANEIRO (ABN News) - A
comunicação é importante e necessária desde o momento que o ser humano
descobre-se como ser social. O jornalismo é uma ferramenta importante
para que a comunicação se estabeleça para as grandes massas, trazendo à
lume de forma rápida e eficiente novidades valiosas que são úteis para
o dia a dia da sociedade. Evidente que as informações são originárias
de um leque de áreas do conhecimento, impossíveis de serem dominadas
por uma só pessoa. A profundidade e a complexidade dos temas exigem
capacidade honesta e suficiente de decodificação para que a pessoa
comum de inteligência e discernimento mediano seja capaz de entender.
Para que isto ocorra, o profissional decodificador deve efetivamente
entender o tema para que, de forma gradual e didática, consiga torná-lo
inteligível.


A transmissão de conhecimento, seja do
mais simples ao mais complexo, é feita pela comunicação. Para cada
caso, há uma especificidade de atributos necessários para
transmiti-los. O conhecimento sem lastro em título acadêmico é
consagrado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. O artigo
66 que se refere à preparação dos docentes para o magistério superior
assevera em seu parágrafo único que "O notório saber, reconhecido por
universidade com curso de doutorado em área afim, poderá suprir a
exigência de título acadêmico." A declaração expressa da lei de que um
professor pode ter seu título acadêmico suprido pelo notório saber traz
implicitamente a idéia de que o diploma acadêmico deve ser exigido,
necessariamente, em situações quando é imperativa a demonstração de
perícia e conhecimento específicos que, se não atendidos, poderão gerar
riscos de graves prejuízos à vida, a segurança e ao bem-estar social.
Exigências fora deste contexto configura-se reserva de mercado.


Obviamente que o ensino e a pesquisa é
importante em todas as áreas que reúnem um arcabouço de conhecimento
sistematizado. Caso se justifique, é importante que se estruture um
curso específico. Todavia, o cerceamento do exercício da atividade
jornalística para não graduados em jornalismo gerará limitações que
prejudicam o desenvolvimento social e a gestão do conhecimento e da
informação em circulação, especialmente porque a transmissão de
informação com qualidade carece de sustento de todas as áreas do
conhecimento que sejam objetos de matéria jornalística. É a contradição
de uma profissão que em tese valoriza a informação com qualidade e
precisão e onde forma é atributo de importância menor que o conteúdo.


Os temas de alta complexidade nas
diversas áreas do conhecimento são transmitidos por estudiosos que
detêm o conhecimento científico específico na área. Tais cientistas não
são necessariamente graduados em jornalismo. Além de cientistas têm
capacidade de comunicar-se por vocação e treinamento específico.
Certamente nem todos os pesquisadores são dados a escrever
sistematicamente sobre seus próprios experimentos. Estes temas de
elevada complexidade devem ser apresentados de forma precisa e podem
sofrer contestações como é próprio da dialética científica. Um
estudioso que é precursor em um assunto novo sofre todas as
contestações típicas de um debate científico. Transmitem o conhecimento
no mais alto nível sem necessariamente ser formados em jornalismo por
universidade.


Contudo, é importante que haja um curso
específico que ensine de forma sistematizada as técnicas que se deve
utilizar para lidar com notícias, dados factuais e divulgação de
informações, mas não se justifica a exigência de um diploma acadêmico,
em especial pelas diversas áreas que podem estar vinculadas a notícia.
Supor que a profissão de jornalista só pode ser exercida por quem
possui diploma é assumir o risco de que as informações que exigem
especificidade de conhecimento possam ser transmitidas com imprecisões
e até incongruências. Admitir que alguém seja capaz de se comunicar com
grandes massas de forma precisa e segura sobre qualquer tema apenas
porque realizou um curso acadêmico é tratar a informação com um
reducionismo incompatível com a própria dignidade que a profissão de
jornalista e o conhecimento requer.


O exercício do jornalismo requer
conhecimento técnico passível de aprendizado especialmente pelos que já
possuem a vocação natural e aperfeiçoamento profissional desenvolvidos
inclusive em outros cursos acadêmicos. Há profissionais que possuem
performance em temas específicos e dispõe de dom e conhecimento de
comunicação suficientes para trazer de forma precisa, segura e com
qualidade informações relevantes para a sociedade e poderão estar
sujeitos ao empobrecimento das suas idéias por uma mera disposição
legal anacrônica ao nosso tempo e rechaçada em vários países
desenvolvidos no mundo. Será um caminho de insegurança para a
informação e um limitador na velocidade da informação que colocará o
país em desvantagem em uma das atividades mais relevantes da
atualidade, especialmente pela aceleração das informações e da
importância delas para as decisões cotidianas. Será dar importância
primária à forma e secundária ao conteúdo. A inversão de algumas
premissas lógicas que justificam a existência do jornalismo como a
informação precisa, segura, oportuna e correta.


[*] Rubens Teixeira, é mestre em
Engenharia Nuclear, pelo Instituto Militar de Engenharia, engenheiro de
fortificação e construção, pelo Instituto Militar de Engenharia.
Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela UFRJ, e bacharel em
Ciências Militares, pela Academia Militar das Agulhas Negras. Doutor em
Economia, pela Universidade Federal Fluminense, pós-graduado em
Auditoria e Perícia Contábil, pela Universidade Estácio de Sá. É
professor universitário em Matemática, Direito e Economia.



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