A
ascensão da mulher na sociedade capitalista trouxe uma dupla
responsabilidade para o seu cotidiano. Atualmente, são comuns os
exemplos de mulheres que possuem dois empregos; são responsáveis pelo
sustento financeiro da família e que ocupam altos cargos
administrativos numa empresa.
No entanto, esta conquista não anulou a natureza
feminina de cuidar da casa, do marido, dos filhos, de uma mãe doente
etc. No final das contas, falta pouco tempo para esta mulher cuidar da
sua saúde. Sabendo deste desafio contemporâneo, a MK Editora realizou
um bate-papo sobre a importância do auto-exame na vida das mulheres,
com a Dra. Thereza Cypreste, a pastora Sandra de Andrade e a psicóloga
Miria Ribeiro, na Livraria Saraiva do Shopping Rio Sul.
No debate, as especialistas ressaltaram a
responsabilidade que a mulher deve ter sobre si mesma e a sua saúde. A
mastologista Thereza Cypreste desenhou o lamentável quatro de muitas
pacientes que só aparecem em seu consultório quando alguma doença
maligna torna-se realidade. "Em meio à correria do dia-a-dia, muitas
acabam não se examinando, não tomando conta dela mesma e não fazendo
uma coisa muito importante, que é o auto-exame corporal. Hoje em dia, a
mulher tem dois empregos, lava, passa, cozinha, cuida dos filhos, é
vaidosa, cuida da mãe doente, não tem empregada e à noite tem que ficar
bem cheirosa para o marido. E aí quando recomendo a esta mulher: 'você
tem que fazer o exame de mama'. Ela simplesmente responde que não tem
tempo para nada. Muitas só aparecem quando a doença já está instalada",
expõe.
Na opinião da Dra. Cypreste esta realidade mostra
como o cuidado com a saúde só aparece em segundo lugar para as mulheres
brasileiras. "Na minha opinião, o auto-exame corporal está passando à
margem. Muitas mulheres vão ao consultório e não conseguem nem mesmo se
lembrar quando começaram a passar mal. O que nós temos percebido,
portanto, desde a década de 1970, quando a mulher saiu às ruas para
ganhar igual aos homens, este problema tem aumentado grandemente.
Aquela mulher que se conhecia, que se auto-examinava acabou. Não tem
tempo de ir ao médico. Lembro, inclusive, de uma paciente que tinha um
caroço enorme nas costas, mas não podia sair ao médico com medo de
perder o emprego", explica.
Dessa forma, a especialista diz que há uma enorme
necessidade de conscientização por parte das mulheres. Ela alertou que,
doente, não será possível cuidar do marido, do trabalho ou das
crianças. "Nós temos que mudar essa realidade. Só para termos uma
idéia, no dia-a-dia, eu não recebo casos de doenças brandas, não. São
mulheres com caroços cancerígenos enormes. Uma coisa a mulher tem que
aprender: você é muito boa enquanto não adoece. Mas quando vem a
doença, muitos não irão nem mesmo te visitar. Portanto, não se iluda,
porque se isso acontecer, você vai perder o emprego e ganhar um câncer.
E não há nenhuma cartilha certa que você possa seguir para evitar o
câncer de mama, por exemplo. O melhor mesmo é fazer a detecção precoce
através de exames", alerta.
A pastora Sandra de Andrade, que já passou por um
câncer de mama e é autora do livro "Câncer Não É Uma Sentença, É Apenas
Uma Palavra", lançado pela MK Editora, diz que é necessário que a
mulher não tenha medo de se encarar e enfrentar as dificuldades.
"Quando você está de frente do espelho você vê o quê você é? Quem não
se olha, não consegue se ver. E quem não consegue fazer isso é porque
não quer se confrontar. Quando você se confronta, você vai encontrar
algo que precisa ser mudado. Eu dou como exemplo a minha própria vida.
Depois que eu superei o câncer, fiz Rapel, pulei de Asa Delta,
participei da São Silvestre etc. Ou seja, passei a olhar mais para mim
mesma e comecei a me superar", incentiva.
A pastora explica que a responsabilidade própria tem
que vir em primeiro lugar. "Antes da responsabilidade empresarial,
familiar, governamental ou social deve estar a sua vida. Se você não
for uma pessoa consciente das suas obrigações com você mesma, nunca se
transformará num bom agente social. Portanto é preciso ter cuidado. Por
muitos anos eu cuidei do meu irmão, da minha família, sem parar para
cuidar de mim mesma. Até que eu descobri que estava com câncer. Não que
eu me arrependa de ter cuidado da minha família, faria tudo de novo se
fosse preciso, mas passaria a me cuidar mais e fazer mais exames. É
muito importante nos confrontarmos com nós mesmas e mudar o que precisa
ser mudado. É uma questão de amor próprio", sustenta.
A psicóloga Miria Ribeiro, autora do livro
"Mulheres Têm Medo de Quê?", também lançado pela MK Editora, explica
que quando a mulher está saudável é bom para a família,
relacionamentos, trabalho etc. No entanto, quando adoece, a rede social
diminui, pois não consegue lidar bem com as pessoas. Assim, ela
ressalta que os resultados da vida são frutos das escolhas que uma
pessoa faz com o passar dos anos.
"Esse evento da MK Editora com a livraria Saraiva é
muito importante para que nós possamos iniciar este trabalho de
conscientização. Na verdade, ele já representa um passo em direção ao
auto-exame. É importante lembrar que estamos aqui falando sobre vida. E
também de pessoas que querem viver melhor. Portanto, não adianta passar
a responsabilidade para o outro e dizer que a culpa é do governo ou do
marido. O que você está fazendo por você mesma? A responsabilidade da
sua vida é sua e de mais ninguém. Então, faça isso por você mesma, pois
a nossa vida são as nossas escolhas. Saiba de uma coisa importante, a
doença só atinge quem está vivo", ressalta.
Ela lembrou ainda que a qualidade emocional reflete
no corpo. "A questão emocional também é muito importante, porque
influência muito em nosso organismo. Há alguns tipos de câncer, por
exemplo, que são estimulados através da magoa, angustia, tristeza,
rancor. Nós não podemos dividir o emocional do racional, porque isso
não existe. Desde que nós nascemos as nossas células são presas por um
espírito. Ou seja, tudo é emocional e racional ao mesmo tempo",
esclarece.
Fonte: Grupo MK de Comunicação
|