 O belo cenário do Museu de Arte Contemporânea, o Mac de Niterói, serviu de palco para uma boa causa: o jantar beneficente em prol da saúde da mama, organizado pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). Mais de duzentas pessoas, entre médicos, personalidades e artistas, se uniram na luta contra uma das doenças que mais afeta a mulher no mundo todo.
Em seu discurso, durante o evento, a atriz Françoise Forton ressaltou a importância da conscientização em torno do problema. O câncer de mama é uma das principais causas de morte entre as brasileiras - representa quase 10% dos óbitos causados entre as variedades de câncer no país - e as perspectivas para este ano não são nada animadoras: 53 mil novos casos devem aparecer este ano, com um índice de 12 mil mortes.
Outra atriz que também "vestiu" a camisa nesta luta foi Marcela Barrozo. Acompanhada pela mãe, a revelação da novela global ‘Duas Caras', considerou a iniciativa da SBM importante. Camisas da campanha contra o câncer de mama foram vendidas em troca dos convites. Toda a renda foi revertida para a Semana Nacional de Incentivo à Saúde Mamária, o evento anual de conscientização, que acontecerá de 24 a 30 de novembro, com ações em todo Brasil. A musa deste ano é a apresentadora Ana Maria Braga.
Prevenção - Na campanha, a Sociedade Brasileira de Mastologia vai enfocar a importância da prevenção. O presidente da SBM, Dr. Ricardo Chagas, explica que em fases iniciais, com tumores até dois centímetros de diâmetro, a chance de cura fica entre 90-100%, sem necessidade de cirurgias, como a retirada das mamas. "É preciso estimular o diagnóstico nessa fase inicial. Nos países desenvolvidos o número de diagnósticos precoce é alto, chegando a 70% dos casos de câncer de mama, já no Brasil fica em torno de 15%".
Segundo Dr. Ricardo Chagas, as realidades são distintas para as mulheres que têm dinheiro e para aquelas que não têm condições de pagar um plano de saúde. "Nos consultórios particulares, a incidência de câncer inicial é semelhante a dos países mais adiantados", diz. Um relatório divulgado pela American Cancer Society no final de 2007 mostrou que, entre 1990 e 2004, houve redução na taxa de mortalidade por câncer de mama nos Estados Unidos. A redução foi de 2,2% ao ano e a queda se deve à descoberta de tumores em estágios cada vez mais iniciais.
No Brasil, o "pontapé" inicial já foi dado com a aprovação de uma lei no Congresso Nacional, em abril deste ano, que torna direito de todas as mulheres a realização de mamografia a partir dos 40 anos. "O próximo passo é colocá-la em prática e definir os protocolos e meios que a viabilizem", diz o presidente da SBM, Ricardo Chagas. Mas, por outro lado, o aumento do número de mamografias implicará na elevação de casos diagnosticados e exigirá uma melhor estruturação do atendimento público às mulheres portadoras da doença. Portanto, muita coisa ainda precisa ser feita para que se vença a batalha contra o câncer de mama e é preciso que todos estejam empenhados nesta luta. |