
Cuidados com a Saúde
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| Da esquerda para a direita, a Dra. Theresa Cypreste; pastora Sandra de Andrade e a psocóloga Miria Ribeiro |
Especialistas se reúnem e falam sobre a importância do auto-exame para as mulheres.
Fonte : www.elnet.com.br por Bruno Barreira
A ascensão da mulher na sociedade capitalista trouxe uma dupla
responsabilidade para o seu cotidiano. Atualmente, são comuns os
exemplos de mulheres que possuem dois empregos; são responsáveis pelo
sustento financeiro da família e que ocupam altos cargos
administrativos numa empresa. No
entanto, esta conquista não anulou a natureza feminina de cuidar da
casa, do marido, dos filhos, de uma mãe doente etc. No final das
contas, falta pouco tempo para esta mulher cuidar da sua saúde. Sabendo
deste desafio contemporâneo, a MK Editora realizou um bate-papo sobre a
importância do auto-exame na vida das mulheres, com a Dra. Thereza
Cypreste, a pastora Sandra de Andrade e a psicóloga Miria Ribeiro, na
Livraria Saraiva do Shopping Rio Sul. No debate, as
especialistas ressaltaram a responsabilidade que a mulher deve ter
sobre si mesma e a sua saúde. A mastologista Thereza Cypreste desenhou
o lamentável quatro de muitas pacientes que só aparecem em seu
consultório quando alguma doença maligna torna-se realidade. "Em meio à
correria do dia-a-dia, muitas acabam não se examinando, não tomando
conta dela mesma e não fazendo uma coisa muito importante, que é o
auto-exame corporal. Hoje em dia, a mulher tem dois empregos, lava,
passa, cozinha, cuida dos filhos, é vaidosa, cuida da mãe doente, não
tem empregada e à noite tem que ficar bem cheirosa para o marido. E aí
quando recomendo a esta mulher: 'você tem que fazer o exame de mama'.
Ela simplesmente responde que não tem tempo para nada. Muitas só
aparecem quando a doença já está instalada", expõe. Na opinião
da Dra. Cypreste esta realidade mostra como o cuidado com a saúde só
aparece em segundo lugar para as mulheres brasileiras. "Na minha
opinião, o auto-exame corporal está passando à margem. Muitas mulheres
vão ao consultório e não conseguem nem mesmo se lembrar quando
começaram a passar mal. O que nós temos percebido, portanto, desde a
década de 1970, quando a mulher saiu às ruas para ganhar igual aos
homens, este problema tem aumentado grandemente. Aquela mulher que se
conhecia, que se auto-examinava acabou. Não tem tempo de ir ao médico.
Lembro, inclusive, de uma paciente que tinha um caroço enorme nas
costas, mas não podia sair ao médico com medo de perder o emprego",
explica. Dessa forma, a especialista diz que há uma enorme
necessidade de conscientização por parte das mulheres. Ela alertou que,
doente, não será possível cuidar do marido, do trabalho ou das
crianças. "Nós temos que mudar essa realidade. Só para termos uma
idéia, no dia-a-dia, eu não recebo casos de doenças brandas, não. São
mulheres com caroços cancerígenos enormes. Uma coisa a mulher tem que
aprender: você é muito boa enquanto não adoece. Mas quando vem a
doença, muitos não irão nem mesmo te visitar. Portanto, não se iluda,
porque se isso acontecer, você vai perder o emprego e ganhar um câncer.
E não há nenhuma cartilha certa que você possa seguir para evitar o
câncer de mama, por exemplo. O melhor mesmo é fazer a detecção precoce
através de exames", alerta.
A pasto ra
Sandra de Andrade, que já passou por um câncer de mama e é autora do
livro "Câncer Não É Uma Sentença, É Apenas Uma Palavra", lançado pela
MK Editora, diz que é necessário que a mulher não tenha medo de se
encarar e enfrentar as dificuldades. "Quando você está de frente do
espelho você vê o quê você é? Quem não se olha, não consegue se ver. E
quem não consegue fazer isso é porque não quer se confrontar. Quando
você se confronta, você vai encontrar algo que precisa ser mudado. Eu
dou como exemplo a minha própria vida. Depois que eu superei o câncer,
fiz Rapel, pulei de Asa Delta, participei da São Silvestre etc. Ou
seja, passei a olhar mais para mim mesma e comecei a me superar",
incentiva.
A pastora explica que a responsabilidade própria tem
que vir em primeiro lugar. "Antes da responsabilidade empresarial,
familiar, governamental ou social deve estar a sua vida. Se você não
for uma pessoa consciente das suas obrigações com você mesma, nunca se
transformará num bom agente social. Portanto é preciso ter cuidado. Por
muitos anos eu cuidei do meu irmão, da minha família, sem parar para
cuidar de mim mesma. Até que eu descobri que estava com câncer. Não que
eu me arrependa de ter cuidado da minha família, faria tudo de novo se
fosse preciso, mas passaria a me cuidar mais e fazer mais exames. É
muito importante nos confrontarmos com nós mesmas e mudar o que precisa
ser mudado. É uma questão de amor próprio", sustenta.
A
psicóloga Miria Ribeiro, autora do livro "Mulheres Têm Medo de Quê?",
também lançado pela MK Editora, explica que quando a mulher está
saudável é bom para a família, relacionamentos, trabalho etc. No
entanto, quando adoece, a rede social diminui, pois não consegue lidar
bem com as pessoas. Assim, ela ressalta que os resultados da vida são
frutos das escolhas que uma pessoa faz com o passar dos anos.
"Esse
evento da MK Editora com a livraria Saraiva é muito importante para que
nós possamos iniciar este trabalho de conscientização. Na verdade, ele
já representa um passo em direção ao auto-exame. É importante lembrar
que estamos aqui falando sobre vida. E também de pessoas que querem
viver melhor. Portanto, não adianta passar a responsabilidade para o
outro e dizer que a culpa é do governo ou do marido. O que você está
fazendo por você mesma? A responsabilidade da sua vida é sua e de mais
ninguém. Então, faça isso por você mesma, pois a nossa vida são as
nossas escolhas. Saiba de uma coisa importante, a doença só atinge quem
está vivo", ressalta.
Ela lembrou ainda que a qualidade
emocional reflete no corpo. "A questão emocional também é muito
importante, porque influência muito em nosso organismo. Há alguns tipos
de câncer, por exemplo, que são estimulados através da magoa, angustia,
tristeza, rancor. Nós não podemos dividir o emocional do racional,
porque isso não existe. Desde que nós nascemos as nossas células são
presas por um espírito. Ou seja, tudo é emocional e racional ao mesmo
tempo", esclarece. |